sábado, 27 de abril de 2013

BRINCANDO UM POUCO COM OS TIPOS Acho que desde sempre - desde quando o ser humano se dedicou a pesquisar profundamente a si mesmo - acabou criando sistemas de tipologias para melhor poder entender e auxiliar a este mesmo ser humano em sua jornada evolutiva aqui no planeta. Poderíamos citar por exemplo, o Yin/Yang da cultura chinesa, os Doshas e as Gunas do Ayurveda, os 4 humores de Hipócrates, os 9 tipos do Eneagrama, Jung também tipificou, entre muitos outros. Como pensador e pesquisador (e consequentemente como observador e estudioso) também acabei criando os meus tipos. Bem simples, bem generalistas (embora referenciados no meu universo pessoal e profissional), apenas como um exercício despretencioso só para poder ajudar a me entender um pouco mais e ao meu semelhante. Então criei, nos meus devaneios filosóficos, duas tipologias que eu chamei de : 1. Pessoas Custo / Pessoas Ganho 2. Faladores e Escutadores 1. Dentre as frases e pensamentos que ouvi do meu pai e que foram muito importantes na minha formação, lembro-me de uma frase que é um verdadeiro alicerce na minha vida: “Em vez de você considerar que o custo é um preço caro demais para o ganho, pense que o ganho é uma enorme compensação para o custo”. Isso vale prá tudo e foi fundamental na construção do meu caráter e da minha personalidade “ganho”. Bem mais tarde, através de um livro de PNL do dr.Lair Ribeiro, aprendi os conceitos de ganha-perde e ganha-ganha. A economia kármica saudável fundamentada, em ultima análise, na compreensão sistêmica da sincronicidade, da ressonância, e consequentemente da lei da atração. Foi importantíssimo ter conhecido estes conceitos, que ampliaram mais ainda minha compreensão sobre este tema. E mais prá frente ainda, em um filme -“O Segredo” – que nem gosto muito embora concorde totalmente com o espírito da coisa, me marcou muito aquele sujeito que aparece várias vezes recebendo contas pelo correio. No inicio de uma forma estressada e ansiosa, e depois de uma forma relaxada e confiante. Em várias situações financeiras que me poderiam ter sido tensas e ansiosas, me lembrei do cara do filme e me reequilibrei. E foi muito importante na minha vida essa compreensão de estar referenciado no ganho. Isso não tem nada a ver, é claro, com irresponsabilidade ou omissão, ou em ser perdulário e não querer pesar os riscos e custos. Tem a ver com a qualidade da intenção (e da ação), a confiança em si e no Universo e a compreensão do processo sistêmico. E claro, no conhecimento de um pouco de marketing e de administração, graças à importantes pessoas que cruzaram meus caminho e me deram preciosos subsídios. Passei por alguns momentos financeiros difíceis nos últimos 30 anos, mas em nenhum momento permiti que a minha mente e a minha vida focassem e naufragassem no medo de ficar sem grana, na ansiedade de ter que ganhar mais dinheiro (e mais rápido) e na tensão de não gastar para não faltar. Eu nunca vivi na perspectiva da dureza, da falta. E nunca me faltou. Com toda a certeza se eu tivesse passado pelas coisas que passei na minha vida pessoal e profissional relacionadas a dinheiro, referenciado na perspectiva do custo, dificilmente eu teria ousado, arriscado, criado, e tido coragem para “dar a volta por cima” como eu sempre dei em todas as situações. E provavelmente teria sempre tido um alto nível de insegurança, tensão, ansiedade e stress. Se você vive referenciado no custo, é claro que a vida é dura, as coisas são difíceis e tudo pode ser bastante pesado e lento. São muitas as “frases-crença” que povoam nosso inconsciente coletivo cultural: “A vida é muito dura”, “Dinheiro não cai do céu”, “Dinheiro não se consegue fácil, tem que suar muito”, “As coisas não vem de mão beijada, tem que ralar muito !”, “Dinheiro é um mal necessário”, e por aí vai... As “pessoas custo” tem sempre na ponta da língua: o preço que custa/o tempo que gasta/o trabalho que dá, e geralmente não tem uma noção clara da diferença, por exemplo, entre custo e investimento e entre custo e benefício. E geralmente não tem uma noção clara em relação ao conceito de ganho indireto (ou ganho secundário) e a “química” da relação entre o uso do tempo e o uso do dinheiro. E as “pessoas ganho” tem que estar atentas para não caírem na irresponsabilidade financeira e para não negligenciarem cuidados e salvaguardas. Um sub-tipo que pode estar presente tanto nas “pessoas custo” como nas “ganho” são as “pessoas que esperam cair do céu” e as “que correm atrás”. As pessoas que esperam cair do céu correm o perigo de desde não cair do céu até os acontecimentos demorarem muito mais do que elas desejariam (e do que seria “técnicamente” possível) para acontecer. As pessoas que correm atrás (as “quem sabe faz a hora não espera acontecer”) tem que estar atentas para não atropelarem a vida (e os outros) na tentativa de controlar o Universo para que suas demandas sejam realizadas conforme seus desejos. 2. Quanto a segunda tipagem, dividi a humanidade em dois grupos : os faladores e os escutadores. Em principio, um dos grandes aprendizados dos faladores é calar e escutar. E o dos escutadores é falar, se colocar. Os faladores tem geralmente uma natureza mais Yang, mais Pitta (ou mais Vata), tem intelecto aguçado, articulado, discurso brilhante, envolvente. Quando no desequilíbrio aparecem a raiva e a ansiedade. Os escutadores são mais Yin, mais Kapha. Quando no desequilíbrio vem a baixa estima, a menos valia, a depressão, a angústia, o medo de mudar e o apego excessivo. Terapeutas do tipo falador (como eu) que não se percebem faladores, correm o grande risco de centrarem a sua terapia na sua própria fala, já que os tipos faladores são geralmente muito apaixonados por sua cultura, conhecimento, inteligência e por sua vivência, e tem absoluta certeza de que o que dizem é de fundamental importância e relevância para o outro ouvir. Se não estiverem atentos, ao invés de estarem prioritariamente escutando com atenção ao que o outro está falando, ficarão prioritariamente escutando e arquitetando mentalmente aquilo que vão responder. Os terapeutas do tipo falador devem estar sempre atentos para o fato de que o mais importante em terapia não é a fala do terapeuta, e sim uma escuta amorosa e não julgadora por parte deste. Um sub-tipo muito comum dos faladores é o tipo “Eu”, ou seja, pessoas que só falam de si e da sua história, e quando o outro fala e conta alguma coisa (quando consegue espaço para falar) sempre aproveitam a fala do outro (e quando não o interrompem) para contar que também fizeram ou tem aquilo, e já engrenam na sua própria história. E quando são do sub-sub tipo “Eu sou, faço e/ou tenho o melhor”, vão dizer que o seu é o melhor ou fazem aquilo muito mais bem feito...//Ernani Fornari

quinta-feira, 25 de abril de 2013

GANHA/PERDE OU GANHA/GANHA ? A ECONOMIA DA ALMA. Infelizmente ainda vivemos sob a ideologia do “ganha-perde”, ou seja, temos ainda muito incutida em nossa cultura a idéia de que para se ganhar alguém precisa perder. É assim que se construiu, por exemplo, o sistema capitalista com sua conhecida pirâmide social, onde poucos ganham (dinheiro e poder) em detrimento de milhões. E é esta filosofia que está se destruindo todo o planeta. É desse ganha-perde que estão impregnadas todas as nossas relações (lembra da lei de Gérson? - a cultura do “se dar bem” e do “levar vantagem em tudo”). Não só no sentido profissional e financeiro, mas também no psico-emocional . É urgente re-implantar-se o “ganha-ganha” nas relações interpessoais e nas relações do homem com a Natureza. E é preciso que isto aconteça internamente também. É preciso que nos apercebamos dos chamados “ganhos secundários ou indiretos”. Porque estamos mantendo uma doença ou um padrão doloroso ? O que será que nossa mente pensa que estamos ganhando mantendo um bloqueio ou uma limitação? É o que ocorreu, por exemplo, com uma senhora que atendemos como cliente e que mantinha algumas doenças para que os filhos a visitassem. Não existe nenhuma possibilidade de ganho real para nada nem para ninguém, em nenhum setor da vida, se este ganho for obtido em detrimento da perda, prejuízo ou sofrimento de alguém ou de alguma coisa (incluindo principalmente nós mesmos, claro). É absolutamente necessário que se faça definitivamente no planeta um upgrade do 3º. para o 4º chakra na Humanidade, que é o que a Gaya vem tentando através dos Avatares ao longo de toda a história da Humanidade. Talvez seja este upgrade que Kardec chamou de ”passagem da condição de expiação para a de regeneração”. A guerra é um exemplo típico de desequilíbrio coletivo do 3º. Chakra : eu quero a terra do outro (ou o petróleo, ou o que quer que seja que não é meu) e dane-se o outro, eu invado e roubo. É o mais tácito exemplo de ganha / perde que o mundo presencia. E este mecanismo se reflete em todas as nossas relações. Quantas vezes não queremos (ou o outro quer de nós) o tempo, o ouvido, o dinheiro, o sexo, a paciência do outro, sem se importar com este outro ? Cada pessoa “contamina” magnéticamente seu meio. Positiva ou negativamente. Por isso os Cristos e os Buddhas influenciam tanto o coletivo. Mahatma Gandhi dizia que “uma só pessoa que realiza a plenitude do Amor, neutraliza o ódio de milhões”. Estamos todos interligados numa espécie de vasos-comunicantes cósmico. Estamos trocando e nos inter-influenciando o tempo todo, num grande movimento universal de homeostase rumo ao equilíbrio e à transcendência. //Ernani Fornari
SOBRE FELICIDADE E SOFRIMENTO Buddha dizia que sofremos porque temos desejos. Algumas pessoas – geralmente em função de conceitos religiosos - podem pensar que há algo errado em desejar, já que desejar é natural no ser humano. Claro que não há nada errado em desejar. O desejo é quem move nosso movimento evolutivo. Mas se ancoramos excessivamente nossos desejos em coisas externas (pessoas, objetos, eventos, sensações), certamente vamos entrar na “roda viva” do sofrimento, porque a mente e os sentidos nunca se saciam do prazer fugaz trazido pelas coisas externas. E quando as temos, sofremos pelo medo de perde-las. E sofremos quando as perdemos, até porque “prá sempre” é uma invenção da nossa cultura. O sofrimento é a distância entre o que você deseja e o que é. E resistir ao que é só mantém e aumenta o sofrimento. Talvez a coisa mais difícil de se ensinar a uma pessoa que está estudando para ser terapeuta é a diferença entre a intenção de curar e o desejo de curar. Intenção de curar é estar no foco, fazendo o que é possível fazer, com desapego pelos resultados. Desejo de curar é quando queremos manipular o processo, passando por cima do fato de que é o Universo quem controla. E esta atitude certamente é uma porta para as frustrações e para o ceticismo. Não há nada errado com o prazer, com gozar das coisas bonitas, agradáveis, gostosas, ainda que passageiras. Só não podemos confundir prazer com Felicidade (com letra maiúscula). Felicidade (ou bem-aventurança – Ananda – como dizem os hindus), é o estado de estar integrado com o Amor Universal. Em um nível bem mais humano existe ainda um fator complicador, pois inventaram que a tal felicidade é um estado sem sofrimento. Mas relembrando Drummond “a dor é inevitável, o sofrimento é opcional”. Isso embola com outro fator também complicador que é uma crença de algumas religiões de que sofrer é uma coisa boa aos olhos de Deus e que o sofrimento é fundamental e essencial para a evolução humana. Estes equívocos todos fazem com que se entre em verdadeiros estados compulsivos, onde desesperadamente se busca a completude em coisas ou pessoas que nunca vão poder dá-la, já que o que é impermanente não pode outorgar nenhum estado interno que seja permanente, absoluto. É como tentar se preencher com vento. Isso tudo é fomentado em nosso psiquismo por aquilo que Freud chamou das pulsões básicas da busca do prazer e da evitação da dor. E o sistema capitalista se aproveita disso e capricha em criar de forma absolutamente maquiavélica e eficiente - através da mídia e da propaganda - desejos e necessidades “artificiais” que jamais serão realmente saciadas, produzindo uma escalada de vício e dependência. Hoje temos instituições do tipo AA (Alcoólicos Anônimos) para quase todas as áreas da vida : Sexólatras anônimos, Comedores compulsivos, malhadores de academia compulsivos, workaholics, usuários de informática e de vídeo game compulsivos, etc. Viva a vida buscando o belo, o gostoso, o agradável e o prazeiroso mas lembre-se de que a maior virtude é a do desapego. Como na verdade nós não temos controle sobre quase nada, o desapego (que não tem nada a ver com indiferença, complacência ou omissão) faz com que a felicidade humana seja viável, na medida em que nos responsabilizamos pelo que nos acontece e aprendemos com aquilo que atraímos, e assim voltamos cada vez mais rapidamente para um estado de serenidade e equilíbrio cada vez que a vida nos traz experiências difíceis e dolorosas. Aceitar o que vem do Universo com consciência e maturidade, pois como dizia Buddha, a existência é sempre anitya, impermanente, tudo passa, tudo passa... //Ernani Fornari
SOBRE CONCEITOS E PRECONCEITOS Há alguns anos atrás em meio a uma conversa “papo cabeça” onde estava presente uma pessoa, que não me lembro mais quem era e nem se era católica ou evangélica, mencionei en passant os Orixás. A pessoa em questão na mesma hora fez uma cara meio entre o horror e o nojo (expressão esta que depois voltei a ver várias vezes em outros papos na presença de outras pessoas cristãs), e proferiu alguma “verdade” preconceituosa tipo “Orixás são demônios” ou algo do gênero. Aí perguntei para esta pessoa se ela acreditava nos Anjos, e ela prontamente me respondeu que sim. Em seguida perguntei o que ela achava que os Anjos eram, ao que ela me respondeu que os Anjos eram seres que Deus havia criado para cuidar da Criação e do ser humano. Não querendo polemizar, pensei cá comigo que se esta pergunta fosse feita, por exemplo, a um babalaorixá africano (Quem são os Orixás?) ou a um brahmane hindu (Quem são os Devas?) muito provavelmente a resposta seria exatamente a mesma. E fica aqui a reflexão : como é maravilhosa a natureza absolutamente democrática de Deus que respeitou a enorme diversidade da humanidade, e se apresentou a cada povo ao longo da História respeitando profundamente as suas características geográficas, históricas, raciais e culturais. Seria realmente um absurdo divino, por exemplo, os negros africanos ou os vermelhos nativos das Américas acessarem os Seres Divinos como anjos de pele branca, louros, de cabelos lisos e longas vestes... Ao mesmo tempo parece não ocorrer aos cristãos que os povos negros, indígenas e orientais possam ter também uma visão demoníaca – e talvez com muito mais razão – a respeito de uma religião que manteve uma inquisição por mais de um milênio matando muito mais gente que as duas guerras mundiais por motivos torpes, fomentando pilhagens e chacinas chamadas de Cruzadas, sendo conivente (ou no mínimo omissa) com os genocídios e a escravidão que ocorreram nas 3 Américas, e mais recentemente acobertando a pedofilia e outros escândalos no Vaticano. E isso só para citar uns poucos fatos, pois tem muito mais. Portanto evocando o amor ao próximo, a caridade e a compaixão que estas mesmas religiões cristãs pregam (mas não parecem praticar) eu digo: Salve S.Jorge ! Salve Ogum ! //Ernani Fornari
SOBRE SANTOS E DEUSES Ernani Fornari Interessante como as igrejas evangélicas não entendem que Jorge, Francisco de Assis, Antonio, Inácio, Bento e tantos outros cristãos maravilhosos cujas vidas foram e são exemplos de fé e de virtude, não tem culpa nenhuma se a igreja católica deu para eles o título de "santos" e estimulou uma espécie de idolatria como se só eles tivessem o email de Deus. Interessante como as religiões cristãs com sua obcessão por culpa e pecado - ao contrário por exemplo das orientais - não conseguiram entender que já nascemos perfeitos e prontos, só que ignorantes desse fato. Senão o que mais significaria sermos feitos "à imagem e semelhança de Deus" ? Por isso os Santos, Anjos, Gurus, Devas e Orixás rigorosamente não nos podem dar nada, pois já somos essencialmente plenos e perfeitos e não nos falta nada. Mas estes mesmos Santos, Anjos, Gurus, Devas e Orixás fazem um trabalho indispensável e importantíssimo ao nos ajudarem a descobrir e realizar que já somos o Deus que tanto (e inutilmente) buscamos fora. Interessante também foi o processo da formação dos mitos, quando cada cultura colocou externamente, de maneira antropomorfizada, todas as virtudes, potencialidades e qualidades que todos temos dentro mas ainda não experienciamos plenamente. Aí cada cultura construiu sua própria estrutura mítica - sua mitologia - de forma a constantemente espelhar para nós a nossa própria natureza essencialmente una e divina. Para os orientais os santos e deuses, como expressões do mesmo único Deus, são como que símbolos cuja função maior é nos lembrar (e nos inspirar) continuamente de nossa natureza una e perfeita. Interessante como mesmo assim, ainda continua-se buscando fora aquilo que já se tem dentro, num exercício quase infantil de idolatria e de mendicância espiritual.

sexta-feira, 8 de março de 2013

CRIACIONISMO E/OU EVOLUCIONISMO ?

Foi há muitos anos atrás, quando aluguei meu sitio para uma família adventista que ficou tentando acirradamente me converter para o Criacionismo (embora eu não empunhasse nenhuma bandeira darwiniana), que tive o primeiro insight sobre se estas duas correntes de pensamento teriam obrigatoriamente que ser antípodas, antagônicas, ou se de repente, quem sabe poderiam ser complementares. E isso me linkou imediatamente com uma palestra de um monge indiano que assisti nos anos 80, quando lá pelas tantas ele contou que uma vez estava fazendo uma palestra em um mosteiro católico, e no final um dos monges lhe perguntou se ele acreditava que Deus havia criado o mundo. E o swami respondeu ao monge que, segundo a sua tradição, ele acreditava que não só Deus havia criado o mundo como o estava criando constantemente. Então a pergunta que não quer calar é: Porque Deus não pode realmente estar criando (como querem os criacionistas) incessantemente a vida como um complexo processo evolutivo (como quer a ciência) ? Qual é realmente o problema dos criacionistas com a possibilidade de um processo evolutivo ? Porque a possibilidade de Deus ter feito tudo pronto e acabado é mais bacana do que a Criação se processar nesta dinâmica e constante expansão da vida que os orientais, os xamãs e a Física Quântica conhecem tão bem? E quem disse que Deus criou um produto final acabado ? A Bíblia? Ok. E isso vai nos remeter para uma outra questão também muito interessante: Os criacionistas se baseiam justamente no livro do Genesis, que até detalha o que foi criado em cada um dos 7 dias, para formularem os seus argumentos. Bem, nos primórdios da Igreja quando os lideres de então se reuniram para estruturar o que se tornou a Bíblia Sagrada, resolveram anexar ao material cristão (os evangelhos e as epístolas, entre outros) – que eles chamaram de Novo Testamento – a Torah judaica, que chamaram de Velho Testamento. Ora, se o Genesis é o primeiro livro da Torah, porque os cristãos ao invés de resolverem dar a um mito uma interpretação literal, não foram perguntar aos rabinos judeus o que aquele texto realmente queria dizer? Até porque não faz muito sentido anexar na escritura de uma religião um livro de uma outra religião e ainda mudar o sentido e a interpretação do que foi escrito. E exatamente foi isso que a Igreja fez. Se Jesus disse que não veio mudar a lei (e deve ter sido porque ele era judeu que resolveram colocar a Torah na Biblia), porque então os cristãos não aceitaram a exegese judaica do Genesis ? Além do texto ser claramente um mito da criação - como tantos outros que a Humanidade produziu ao longo da sua história - sabemos que a chave deste conhecimento que foi canalizado por Moisés está no estudo profundo daquilo que os judeus chamam de Kabalah. Ou seja, só os judeus que estudam a Kabalah que podem saber o que realmente o Genesis (bem como todo o Pentateuco) quer dizer ! E me parece que procurar saber sobre isso é mais inteligente do que ficar tentando provar que a criação do mundo só tem 6000 anos e que o teste de carbono 14 é mais uma das fantásticas formas de Satanás nos atormentar e enganar. (ERNANI FORNARI, março 2013)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A INTEGRAÇÃO DO ALINHAMENTO ENERGÉTICO (Fogo Sagrado) COM AS OUTRAS TERAPIAS

Nestes quase dez anos em que venho, primeiro com Monica Oliveira e depois com Gabriela Carvalho, formando terapeutas de Alinhamento Energético no Brasil e na Europa, muitos profissionais ligados a saúde de uma forma geral - tais como médicos, psicólogos, massoterapeutas e acupunturistas, fisioterapeutas, instrutores de Yoga, consteladores, reikianos, astrólogos e tarólogos, e terapeutas em geral - foram nossos alunos e foram formados e certificados por nós.

Acredito que a maneira como o Aloysio formatou este trabalho (e depois como Monica o aprimorou) - com abertura, flexibilidade, ecumenismo, ecletismo e universalismo – tornou possível a que esta técnica terapêutica pudesse ser integrada com qualquer outro instrumento de cura, na medida em que Alinhamento Energético é essencialmente a captação sensitiva (e o posterior encaminhamento para transmutação) de conteúdos psico-emocionais em desequilíbrio (corpos energéticos) e a volta destes conteúdos curados (o corpo em Luz) com a senha.

E para isso não se depende de rituais nem determinadas condições externas e nem de doutrinas específicas, não é necessariamente preciso nem falar, e na verdade, nem é absolutamente fundamental que o cliente esteja presente para o trabalho funcionar com eficiência.

E também não é preciso que alguém deixe de lado seu caminho, abandone sua religião, sua ideologia, filosofia ou sua linha terapêutica para aprender a ser terapeuta ou para ser cliente de Alinhamento Energético.

E o feed back que recebemos dos terapeutas formados foi (e é) sempre no sentido da potencialização, do upgrade que seus trabalhos tiveram após o aprendizado do Alinhamento Energético.

Exatamente da mesma forma como aconteceu com nosso trabalho, como por exemplo, durante uma sessão de Renascimento quando vamos silenciosamente encaminhando os corpos energéticos que vão literalmente se descolando do cliente através da respiração terapêutica. Isto otimiza muito o trabalho de limpeza e reequilíbrio promovido pela respiração.

Ou ainda quando estamos em um atendimento de Alinhamento Energetico e as vezes aparece uma questão familiar complexa, muitas vezes nós damos um stop, pegamos a mesinha e os bonecos, montamos uma constelação, fazemos o que tem que ser feito e depois retomamos com as canalizações.

Já aconteceu algumas vezes do cliente mostrar a gravação da sua consulta para seu psicoterapeuta e este ligar para marcar uma consulta interessado em conhecer melhor o trabalho.

Ou às vezes o psicoterapeuta recomenda ao seu ciente fazer Alinhamento Energético.

E ainda outras vezes acontece também do psicoterapeuta vir junto com o cliente no seu atendimento e ficar tomando notas sentado em um canto.

Já ouvi mais de uma vez este comentário de psicoterapeuta de cliente presente no atendimento, ao final da sessão: “hoje avançamos muito na terapia”.

Realmente é impressionante o efeito “levantador de lebres” do Alinhamento Energético - como é também, aliás, as Constelações Sistêmicas – além do profundo efeito transmutador e reequilibrador.

E das coisas que realmente mais me chamaram a atenção na terapia do Alinhamento Energético após a minha inserção nele - que foi primeiramente como cliente - eu poderia destacar:

A capacidade que o sexto sentido tem de acessar a dimensão inconsciente do psiquismo através da canalização, a capacidade que a canalização tem, através do sexto sentido, de literalmente desinstalar as memórias e registros (corpos energéticos) dolorosos e auto limitadores, o processo de encaminhamento destes conteúdos à dimensão auto reguladora e a atuação da Egrégora (Guardiões, Seres de Luz) no processo, a volta dos conteúdos curados para serem “reinstalados” no sistema do cliente (Corpo em Luz), e a função e o efeito da senha.

Confesso que no inicio da minha história nesse trabalho a maioria dos quesitos que citei acima me pareciam um tanto fantásticos demais prá funcionarem como me diziam que funcionavam.

E aí meus amigos, posso dizer que eu só estou até hoje (e cada vez mais) nessa jornada porque funcionou (e funciona) muito comigo. E hoje, quase dez anos como terapeuta sensitivo trabalhando muito, no mínimo tenho uma boa amostragem e uma boa estatística no meu acervo de experiências e vivências.

Me lembro muito de vários clientes médiuns espíritas - do Kardecismo e da Umbanda – no final da consulta comentarem : “lembra daquilo que você falou na explicação no início da sessão, que quando os meus conteúdos estivessem sendo expressos através do canalizador, eles estavam sendo removidos do meu psiquismo? Eu os senti saindo!“ Ouvimos isso diversas vezes.

E por falar em médiuns de Umbanda, foi maravilhoso poder há alguns anos atrás, compartilhar este trabalho com os membros de uma casa de Umbanda no Rio de Janeiro, e ensinar aos médiuns, muitos deles muito experientes, a canalizarem corpos energéticos. Hoje, esta casa de Umbanda além do tradicional trabalho de atendimento com cura e desobcessão, também oferece atendimentos com Alinhamento Energético porque sabem que se não se tratarem as causas, os efeitos (principalmente doenças e obcessores) voltam.

Fico especialmente gratificado quando consigo despertar os médiuns espíritas e umbandistas para o fato de que o sexto sentido também pode funcionar como terapia, como ferramenta transmutadora das energias psico emocionais em desequilibrio, que são, na maior parte das vezes, o que determina a qualidade da nossa saúde, a qualidade da nossa vida afetiva e profissional e se temos ou não obcessores.

A “tecnologia” que eu citei no parágrafo grifado lá em cima, que foi percebida pelo Aloysio junto aos pajés e reformatada por ele - com suporte e direção da Egrégora - para ser realizada sem rituais em consultório na cidade, é a espinha dorsal, o “espírito da coisa” deste trabalho, e até onde posso perceber, é também de alguma forma, a de todos os trabalhos que estão nesta mesma vertente sistêmica/holística/sensitiva (como Constelações Sistêmicas, Resgate de Alma, Psicotranse, Tetha Healing, Frequencias de Brilho, EMF, Apometria e outras tantas terapias quânticas que vem em sua maioria - direta ou indiretamente - do Xamanismo e/ou são canalizadas dos povos das estrelas).

Um outro indicativo que nos forneceu um interessante feed-back sobre a integração do Alinhamento com outras terapias, foi quando começamos a receber como alunos no curso de formação (no Rio e em São Paulo) algumas terapeutas consteladoras. E no final do curso ouvimos de quase todas : “Nossa, depois do Alinhamento minha constelação nunca mais foi a mesma. Parece que turbinou!”

Pois é, parece que quando perguntavam ao Bert Hellinger - o terapeuta alemão criador das Constelações Familiares - como aquele trabalho dele funcionava, ele respondia que não sabia, não queria saber (e não reconhecia nenhuma tentativa de explicação) e só lhe interessava o fato de que funcionava.

Talvez pela sua condição de ex-padre tivesse sido difícil para ele entrar em certos campos complicados para os cristãos – como reencarnação, mediunidade, outras dimensões, etc. Então ele incorporou no seu trabalho de psicoterapeuta a “tecnologia” zulu (xamanismo do bom!!!) que ele aprendeu quando foi missionário na Äfrica, e não quis entrar nos intestinos da coisa.

Mas pode ser que agora, como ele recentemente se ligou a um índio mexicano – Tatacachora – que diz ser o D. Juan dos livros do Carlos Castaneda, pode ser que talvez ele queira agora explorar os bastidores do seu trabalho.

Quando você trabalha consciente de que sua terapia é sensitiva, de que você é apenas um canal e que está tendo proteção, suporte e direcionamento de uma Egrégora (que é quem de fato faz o trabalho), de uma equipe na outra dimensão – como ocorre com todos os trabalhos espirituais, religiosos, terapêuticos, artísticos, educacionais, médicos, científicos, etc. – o trânsito e o fluxo da energia e das transmutações e curas parece ficar bem mais otimizado e bem mais aprofundado.

Quando falo em Egrégora, falo de inteligências universais, de níveis de consciências expandidas e elevadas que trabalham na hierarquia cósmica no sentido de nos ajudar a abrir acesso a estas mesmas freqüências de equilíbrio, luz e perfeição que existem dentro de todos nós. São os facilitadores da consciência da Unidade. E não vejo porque isso tenha que ser visto necessariamente de uma forma religiosa, mística ou esotérica, embora não tenha, claro, nada contra.

Muitos facilitadores de Constelações não gostam (e frequentemente não deixam) que o representante fale muito durante uma Constelação, porque em geral tem receio de que o que está sendo expresso seja um produto da mente do representante e não uma fala do representado.

O que o facilitador talvez não saiba (talvez porque Hellinger não tenha feito questão de saber) é que neste momento, nesta situação tão especial, profunda e multidimensional que é uma Constelação, o que está acontecendo é que, na grande maioria das vezes, o representante está canalizando um conteúdo psicoemocional do seu representado (ou de algum ancestral do representado) justamente para que esta expressão verbal canalizada possa desinstalar com mais eficiência o material em questão e encaminhá-lo para a Ordem do Amor para transmutação e reequilíbrio.

E isso é uma das coisas que mais impressionou as nossas alunas consteladoras cariocas e paulistas.

Agora, ao invés de reprimir a expressão verbal do representante, a facilitadora – que agora sabe que o representante está canalizando (ou no mínimo, tem mais subsídios para perceber se é canalização ou é criação da mente do representante) - faz a dirigência e encaminha o(s) corpo(s) energético(s).

Aliás, vamos falar aqui também do ato de encaminhar. Outra “tecnologia” impressionante !

O código que o Aloysio estabeleceu na matriz do seu trabalho e ensinou - de estalar os dedos e falar (ou pensar) “eu te encaminho ao Ministério de Cristo” - abre uma incrível “banda larga” de acesso as outras dimensões (“rompe dimensão“ como ele gostava de dizer) para otimizar a transmutação da energia.

E é impressionante como os representantes, ao serem dirigidos quando canalizam um corpo energético durante uma Constelação, sentem a mudança da freqüência quando se acopla um Guardião no campo ou quando se mostra uma tela mental, e finalmente depois quando se encaminha.

E quando você pode no final, trazer Corpos em Luz e senha na Constelação também é maravilhoso!

Não poderia deixar também de citar aqui o quanto foi importante para mim ter visto o filme “Quem somos nós?” especialmente a parte daquele neuro fisiologista que dá uma aula de como o cérebro estrutura suas redes neurais (o hardware) com seus hormônios e neurotransmissores, para “rodar” os “sofwares emocionais” que vamos instalando ao longo da vida, em função de como vamos vivendo as experiências e exercícios evolutivos que são (co)atraídos por nós.

Acredito que o Aloysio teria adorado ver como a ciência já explica neurofisiologicamente o que acontece com o cérebro no processo da transmutação de energia psicoemocional através da via da canalização com o uso da ferramenta do sexto sentido.

Quando o canalizador está expressando mediunicamente os conteúdos psicoemocionais do cliente, estes conteúdos são desinstalados do seu sistema psíquico e seu cérebro começa o processo de desconstrução do hardware que dava suporte ao velho software que foi removido pela canalização.

Quando o canalizador dá passagem ao Corpo em Luz com a senha e isto é reincorporado (reinstalado) ao cliente, o cérebro dele começa a construir um novo hardware para rodar o novo software que está sendo instalado.

Como cérebro não é computador que você desliga da tomada, troca o chip queimado, liga na tomada, dá boot e usa, os neurônios precisam de um tempo biológico para desconstruir e reconstruir as sinapses neuronais.

Dependendo do que foi tratado em um atendimento, o trauma pode ter raízes profundas que forjaram um poderoso hardware que pode ficar, mesmo sem a presença do velho software, gerando ainda alguma memória residual durante algum tempo, o que pode fazer com que o cliente - especialmente nestes tempos tão acelerados e tão automatizados - reconstrua o que foi limpo e reequilibrado no atendimento.

Por isso a senha é tão importante no processo. A senha tira a mente (e as emoções) da freqüência do que está se desconstruindo, colocando-a na freqüência do que está se (re)enraizando no cérebro e no complexo psíquico.

ERNANI FORNARI
www.alinhamento-energetico.com

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A RESSONÂNCIA, o jogo multidimensional dos espelhos

A RESSONÂNCIA
O jogo multidimensional dos espelhos

Hermes Trimegistro com seu “o que está em cima é como o que está embaixo e o que está embaixo é como o que está em cima” parece expressar, entre outras coisas, o mesmo postulado – que é muito oriental e ao mesmo tempo modernamente quântico – que reza que o mundo externo é só um reflexo do mundo interno (entendendo-se como externo a impermanente relatividade da existência, e como interno a mente e a Consciência).
O externo é uma construção feita pelo interno.
E a ressonância (juntamente com a sincronicidade) é uma das formas como se expressa a Unidade na diversidade, de como se movimenta inteligentemente a Consciência absoluta que existe no âmago da aparente dualidade.
Ressonância é o retorno que o externo nos dá através do espelhamento que ele faz para nós internamente.
Aprendemos desde sempre, que Deus criou o mundo em 7 dias, fez tudo certo mas um tal de Adão resolveu comer maçã, foi expulso do paraíso, e agora Deus está no paraíso de onde ele arbitra nossas vidas, e nós aqui penando nesse mal necessário que é essa pecaminosa vida material de onde devemos nos esforçar muito para sair logo.
Ainda há o agravante de que existe um anjo que resolveu querer se igualar a Deus, caiu e virou Satanás, e desde então vem se esforçando bastante para botar areia no projeto divino e nos lançar eternamente no sofrimento.
Parece um tanto absurdo, mas isso é levado a sério!
Isto ajudou a imprimir em nossa cultura ao longo dos últimos dois milênios, entre outras coisas, a crença coletiva de que o externo, o mundo material palpáve é que é o real, o conceito de que a realidade é só aquilo que os 5 sentidos e a mente racional apreendem, e a crença de que pensar é o produto mais elaborado e sofisticado que o ser humano (que por sua vez, é o ser top de linha da Criação) produz.
E em cima desta base, deste paradigma, construiu-se toda uma cultura. A nossa cultura ocidental européia, branca, greco-cristã-judaica, capitalista e de pensamento cartesiano e mecanicista.
Aprendemos que somos pecadores e culpados de nascença, sentimentos que até hoje permeiam profundamente nossas relações internas e interpessoais.
Então quando me ensinam que eu nada sou, aonde vou – automaticamente - buscar ser? Fora de mim, claro.
Aí, como não suporto meus buracos internos,vou lançando “tentáculos” energéticos e os vou ancorando em coisas e/ou pessoas na tentativa de me preencher.
Sabe aquele papo “meu amor, não consigo viver sem você”, “o que vai ser de mim quando eu me aposentar ?”, “E quando meus filhos saírem de casa? “ e “Se roubarem meu carro? “...
Pois é, aprendemos que não temos nada verdadeiramente bom dentro e aí ficamos dependendo dos meios externos para nos nutrir. E quando estes meios faltam ficamos mal. Ficamos vazios de novo, porque tentar se preencher do externo é como tentar se preencher de vento.
E aí entram em ação quatro personagens “mitológicos” que moram em nós, em nosso psiquismo que vão buscar compensar esse vazio todo: o mendigo, a prostituta, o vampiro e o escravo.
O mendigo é o pedinte. É a nossa baixa auto estima, nossa menos valia, nosso vitimismo, nossos sentimentos de culpa, nossa falta de amor e respeito próprio. É o nosso coitadinho. É o que compara desfavoravelmente para si (“o jardim do vizinho é mais bonito”). É o perseguido e o injustiçado.
A prostituta é a que cede seu tempo, seu ouvido, seu dinheiro, sua casa, seu trabalho, seu direito de dizer sim e não quando quiser, seu direito de merecer e receber, e muitas vezes cede até seu sexo, esperando receber em troca o retorno que venha suprir suas profundas demandas e carências internas. É o nosso “bonzinho”.
O vampiro é o que suga, o que recebe mais do que dá, o que se sente sempre no prejuízo, o que lança sua ancora no porto que aceitar suprir duas demandas, porque morre de medo de perder o pouco que pensa (e que sente) que tem. É nosso lado desesperado, inseguro.
O escravo é quem vive o “ruim com você, pior sem você”, “não consigo viver com você nem sem você”, “estamos juntos por causa dos filhos (ou porque temos um negócio, ou um imóvel)”, “detesto meu trabalho, gostava muito de teatro mas fiz concurso público para ter estabilidade financdeira”, ou mesmo quem é preso a vícios e hábitos não saudáveis. Muitas vezes o escravidão é o ganho secundário (por exemplo, “isto me faz sofrer mas me garante a sua atenção”).
E nós pensamos honestamente que quando, por exemplo, nos apaixonamos, o amor nos chega através do outro. E se o outro se vai, o amor se vai com ele.
Na verdade, precisamos do outro não para nos trazer o amor que não tínhamos, mas para que experienciemos através dele o nosso próprio amor (e o outro idem).
Por isso, por exemplo, distorcemos a função original dos mitos produzidos pelas diversas civilizações - como os deuses das diversas mitologias, os orishás, anjos, santos, animais de poder - que deveriam ser para nós os espelhos arquetípicos que nos refletem a perfeição interna que essencialmente somos mas que não acessamos.
Mas acabamos fazendo com eles idolatria, barganhas, esperando que estes Seres de Luz possam nos dar aquilo que pensamos que não temos, quando sua função é justamente nos ajudar a perceber que já somos e temos quem e o que buscamos ser e ter.
O que as culturas antigas e a moderna psicologia – especialmente as escolas transpessoais – estão propondo é a idéia de que o que quer que seja Deus para cada um, está dentro do ser humano como Consciência eterna.
Então eu não preciso mais de um Deus pessoal em algum Paraíso arbitrando de lá a minha vida, me punindo e me recompensando.
Deus está dentro de mim trabalhando comigo pela minha própria expansão e autorealização.
E o que quer que seja o Mal, ele é em síntese, toda a minha resistência em romper a inércia dos meus controles e das minhas defesas, e mudar para crescer.
Ele, o Mal, também é todos os obstáculos e bloqueios que coloco para que eu não veja quem Eu Sou verdadeiramente, e então assim tenha que superar estes obstáculos e bloqueios e aprender com os exercícios evolutivos para poder conquistar a experiência da liberdade da Consciência eterna.
E esse Deus, esse Eu Superior, essa Presença Divina, ou como O quiserem chamar, age de “dentro” de mim atraindo todas as experiências - vindas através de pessoas, coisas ou de eventos - que eu como humano, evolutivamente, kármicamente, preciso exercitar e aprender para transpor estes obstáculos e resistências que eu mesmo, consciente e inconscientemente, coloco no meu processo de expansão e autorealização.
Sou sempre co-criador e co-responsável pelo meu destino e pela qualidade dele.
E o que a ressonância e a sincronicidade estão mostrando o tempo todo é, trocando em miúdos, que todos e tudo somos Um em todos os níveis, e que o Universo está sempre se auto-regulando, sempre buscando a homeostase, e está sempre se comunicando conosco através de todos os reinos da Natureza e das multidimensões.
Acredito que a sincronicidade e a ressonância são dois aspectos da lei do karma e que são a própria Inteligência em ação no(s) sistema(s).
Compartilhamos todos a mesma Consciência Eterna. Compartilhamos o mesmo inconsciente humano (dr.C.G.Jung não falou do inconsciente coletivo?). Compartilhamos as mesmas emoções e sentimentos enquanto Humanidade. E segundo a moderna Física das Conexões, literalmente compartilhamos a mesma matéria já que trocamos átomos o tempo todo com o meio.
Segundo F. Capra, as interconexões entre as “coisas” tem até mais importância do que as “coisas” que se interconectam, porque estas “coisas” não existem como coisas inter-separadas, mas pensam, sentem, agem e vivem como se fossem entidades separadas, e precisam, através das interconexões, re-experienciar sua condição real de Ser uno com todo o Universo.
E as interconexões existem para provocar o exercício de expor a sombra (que é quem fomenta e mantém a crença da separatividade e a perpetuação do sofrimento) para poder ressignificá-la e trabalhar na direção em que vai todo o movimento universal, que é a busca do estado original de Unidade.
É muito interessante como muita gente fala sobre os relacionamentos que “a paixão é uma coisa maravilhosa, mas depois com a convivência as máscaras caem, o encanto se vai e a brigas começam”. Como se isso fosse um defeito de alguém ou do próprio processo.
A paixão é um maravilhoso surto que tem a função de criar - via enamoramento, tesão, atração intelectual,etc. – vínculos, em função da co-atração kármica que aconteceu entre as duas pessoas e dos exercícios que elas combinaram previamente compartilhar para crescer.
Quando o vínculo está criado, a paixão deveria ceder ao que pretendemos que seja o amor, e aí vamos nos burilar mutuamente através do espelho que um faz para o outro e dos exercícios que um traz para o outro, expondo assim as sombras e o material inconsciente que tem que ser visto e ser curado e integrado.
As personas – máscaras, isto é, “o que gostaríamos que o outro acreditasse que somos” – não duram muito mesmo. Não é sua função durar, elas só existem, neste caso, para ajudar a criar os vínculos.
E baixado o surto da paixão - “quando as máscaras caem” - justamente quando o trabalho ia começar... as pessoas começam a brigar e se separam! Porque ninguém quer ver a sombra que o espelho do outro está mostrando. E aí o que aprendemos - e o que normalmente se faz nestes casos - é imputar ao outro a culpa pelos nossos dissabores (ou pior, imputar a nós mesmos a culpa por tudo). E o outro idem.
Adoro uma frase que aprendi : “Você quer ter razão ou ser feliz ?”
Em Psicanálise, o trabalho com transferência e contra-transferência, também é uma expressão da ressonância em ação entre duas pessoas se espelhando mutuamente.
Aliás, no tempo de Freud, o psicanalista se sentava atrás do divã do paciente, entre outras coisas, para atenuar essa ressonância/transferência-contratransferência.
Hoje nas abordagens mais holísticas, mais sistêmicas e mais transpessoais, o terapeuta se senta frente a frente com o cliente pois sabe que a linha que divide terapeuta de paciente é muito tênue já que a ressonância está presente o tempo todo, e o terapeuta sabe que ele (co)atraiu aquele cliente porque este traz sincronicamente e ressonantemente alguma parte dele, terapeuta, para ser olhada e curada também.

É muito comum também se perceber fortemente a ressonância em trabalhos de Constelações Familiares, quando, não só as pessoas que estão representando como também algumas pessoas que estão sentadas apenas assistindo, se mobilizarem profundamente com as histórias que estão aparecendo na Constelação. Ou numa Roda de Cura de Alinhamento Energético, quando pessoas que estão sentadas na roda, se mobilizam com o trabalho de quem está deitado no centro.

E quando penso em ressonância, penso em relacionamentos, e sempre que penso nisso invariavelmente me vem na lembrança a “tecnologia” nativa norte americana do Talk Stick ou o “Bastão da Fala”.
Os índios sabiam que cada ser humano está imerso dentro da perspectiva de realidade que ele mesmo vem construindo fruto de suas vivências e experiências (e de como ele absorve e processa estas vivências e experiências), e que é a partir daí, deste “sagrado ponto de vista” resultante, que cada um se experiencia internamente e experiência a dinâmica evolutiva dos relacionamentos.
E quando nossos sagrados pontos de vista são discordantes, normalmente nós discutimos e brigamos, porque queremos ter razão, queremos vencer. Quando estamos neste nível, no nível do ego, fica muito difícil a resolução das questões. A questão vira uma disputa, uma competição a serviço de questões internas que nem sempre tem relação direta com o assunto em foco.
Então dois índios que estão com alguma questão pendente, em vez de discutirem e brigarem, sentam-se um na frente do outro, um deles pega o bastão e aí pode falar o que quiser durante o tempo que quiser - e o outro não pode interromper - e tem que procurar ouvir tudo com uma escuta aberta, receptiva e neutra.
Depois troca-se o bastão.
Assim, depois os índios podem resolver sua questão, ou podem até se levantar e ir embora sem falar mais nada, porque um já sabe o “sagrado ponto de vista do outro”, o que motivou o outro, qual foi a intenção do outro sob a perspectiva do outro.
E isso às vezes é o suficiente para que possamos perceber qual o exercício evolutivo que o outro nos trouxe através do espelho que ele está nos fazendo.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A mediunidade como terapia

.Alinhamento Energético (Fogo Sagrado)
A mediunidade como terapia

A Natureza dotou o ser humano de 6 sentidos para que ele pudesse ter eficientes ferramentas para caminhar e crescer na vida rumo ao seu objetivo maior, a experiência da Unidade. Aqueles 5 sentidos que aprendemos na escola (audição, tato, paladar, visão e olfato) que são excelentes ferramentas para se lidar no mundo material, e um sexto sentido – também chamado de intuição, mediunidade, paranormalidade, sensitividade, percepção extra-sensorial, canalização - que a nossa cultura (em função da religião e da ciência dominantes) ignorou.

Se a perspectiva milenar compartilhada pela maior parte das antigas culturas e civilizações (como por exemplo os orientais, os africanos e os povos nativos das Américas) – e agora amplamente corroborada pela Física Quântica – é de que o Universo, a Criação, é um fenômeno multidimensional, a função do sexto-sentido é possibilitar-nos o acesso consciente a esta vida multidimensional, para que possamos expandir e aprofundar com mais eficiência o nosso movimento evolutivo.

Da mesma forma que cada um dos 5 sentidos físicos pode experimentar uma gama bastante ampla de sensações , percepções e funções, com o sexto-sentido dá-se o mesmo. Por isso xamãs treinam para estar consciente nos sonhos, pessoas treinam para sair conscientemente do corpo, para acessar vidas passadas, para acessar os registros do inconsciente coletivo, a dimensão dos desencarnados, dos elementais, dos extra-terrestres, etc.

Em nossa cultura cristã-ocidental, Allan Kardec na França (séc.19), foi o pioneiro na sistematização do uso do sexto sentido (que ele chamou de mediunidade) para estabelecer um canal de comunicação entre o mundo dos espíritos encarnados e o dos desencarnados. Ele chamou esta tecnologia de Espiritismo.

Praticamente na mesma época, na Áustria, o Dr. S. Freud teve o grande insight de mergulhar no que ele chamou de inconsciente para entender e ajudar o homem a desvendar e resolver a questão do sofrimento. Mas o grande doutor (que não era xamã nem oriental) só dispunha, segundo sua cultura e seus conhecimentos, dos 5 sentidos físicos, da mente racional e da linguagem verbal, que não são as ferramentas mais adequadas para se operar em níveis que não são tridimensionais nem temporais.

Por isso, em Psicoterapia, (especialmente em Psicanálise) os processos terapêuticos podem demorar. E isto não é uma crítica, pois na maior parte das vezes é realmente necessário que se demore mesmo, pois através do desdobramento do verbal e do racional, o terapeuta vai facilitando habilmente ao cliente a desconstrução gradativa da intrincada rede de resistências, controles e defesas que vamos construindo ao longo de nossa(s) vida(s) para não acessarmos nossas dores, até chegar-se ao contato com os conteúdos e seus núcleos, e aí efetuar sua catarse e sua re-significação. E tudo isso normalmente tem que ser lento mesmo, pois não se pode sair detonando as defesas das pessoas, que muitas das vezes é o que ainda as mantém vivas.

Por outro lado, no Brasil, tivemos o desenvolvimento da Umbanda, numa integração dos cultos africanos com o catolicismo, o Espiritismo e as culturas indígena e oriental, e que também utiliza a mediunidade como uma ponte de contato entre das dimensões dos vivos e dos mortos.

Mas antes da Umbanda porém, tivemos a introdução das religiões e cultos africanos - que são chamados genericamente de Candomblé, e que ao contrário do Espiritismo e da Umbanda, não focam prioritariamente a utilização do sexto sentido para trabalhar com os espíritos dos desencarnados, e sim para incorporar e manifestar as forças da Natureza - as energias arquetípicas chamadas Orixás, e compartilhar do seu Axé.

No caso do assunto aqui em questão, a terapia Alinhamento Energético (Fogo Sagrado) utiliza a canalização como ainda uma outra forma de se trabalhar com o sexto sentido.

Aqui, o objetivo não é utilizar a ferramenta da mediunidade para se incorporar espíritos desencarnados ou Orixás. No Alinhamento Energético o canalizador incorpora emoções, traumas, sistemas de padrões e crenças dolorosas e auto limitantes, e energias desequilibradas vindas de vidas passadas ou das gerações antepassadas do cliente.

Este tipo de canalização tem a capacidade de abrir uma via direta de acesso ao nível inconsciente e de “desinstalar” do sistema psico-emocional as programações em desequilíbrio (chamadas neste trabalho de “corpos energéticos”, e também chamadas de samskaras e vasanas no Yoga), e depois de “reinstalar” estas programações devidamente re-equilibradas e harmonizadas (chamadas “corpo em Luz”).

Da mesma forma como em um Centro Espírita de cura quando uma pessoa vai com uma doença para ser operada, o médium incorpora um médico desencarnado e faz uma cirurgia espiritual (sem corte) no órgão que está doente, na terapia do Alinhamento Energético o canalizador incorpora e manifesta os conteúdos psico-emocionais em desequilíbrio no cliente, promovendo também uma verdadeira cirurgia energética no inconsciente.

Preferimos chamar o terapeuta de Alinhamento Energético de canalizador, e não de médium, não só para diferenciar a utilização que damos ao sexto sentido - incorporar mediúnicamente energia psico-emocional - das linhas que trabalham com incorporação de desencarnados, como também porque mediunizar desencarnados e canalizar emoções, acontecem em áreas diferentes do cérebro e da estrutura dos energética dos chakras.

Foi esta a percepção que Aloyzio Delgado Nascimento = brasileiro, sensitivo, agrônomo e farmacêutico - teve ao observar os trabalhos de cura dos pajés nas diversas tribos em que ele interagiu, no norte e no sul do Brasil, durante 15 anos : a utilização do sexto sentido, da mediunidade, não só para interagir com desencarnados e com as energias da Natureza, mas também para limpar o inconsciente e transmutar os desequilibrios da energia psico-emocional que está na causa das doenças físicas, psico-emocionais e sociais.

Destas suas observações e estudos, e a partir do “convite” de uma Egrégora - que se denominou “Ministério de Cristo” - que se ofereceu para dar suporte espiritual e energético ao que seria uma readaptação da tecnologia dos pajés para o mundo do homem branco, Aloyzio desenvolveu a terapia do Alinhamento Energético, e após sua morte em 2002, a terapeuta sensitiva carioca Monica Oliveira – que trabalhou por anos com Aloyzio até a morte deste – expandiu o trabalho e o chamou de Fogo Sagrado : um trabalho terapêutico de origem xamânica, mas feito em consultório sem nenhum ritual nem nenhuma conotaçãp religiosa.

O sexto-sentido não é um dom, não é um privilégio ou capacidade de apenas algumas pessoas especiais.

Também não é um poder sobrenatural (como são os siddhis do Yoga). Ao contrário, é um sentido absolutamente natural que está mais ou menos adormecido em nós e em nossa cultura (diferente do que ocorre nas culturas orientais, africanas e nativas), e que pode ser resgatado para otimizar a eficiência do crescimento evolutivo pessoal e da Humanidade.

Esta forma de utilização do sexto sentido – a canalização – como ferramenta altamente eficiente para se acessar de forma rápida a dimensão psico-emocional e energética do ser humano não é, obviamente, uma exclusividade da terapia do Alinhamento Energético (Fogo Sagrado), e tem - especialmente nos últimos 20 anos - surgido em todo o mundo na forma de diversas terapias (muitas delas oriundas direta ou indiretamente das tradições xamânicas), como mais um movimento inteligente da Gaya para acelerar o processo evolutivo do ser humano nestes tempos tão decisivos para a Humanidade.

Esta terapia não pretende ser melhor do que as outras nem vem para substituir nenhuma técnica terapêutica existente, e sim, para ajudar a criar ainda mais sinergia, e podendo pode ser integrada com qualquer outro tipo de terapia ou de trabalho espiritual.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

15 dicas para viver uma vida mais consciente, plena e equilibrada

15 Dicas para se viver uma vida mais
consciente, plena e equilibrada:


1. Todos nós ao nascer, ganhamos um espelho. Este espelho é, então, colado no nosso peito. E assim vivemos toda a nossa vida, refletindo o outro e vendo no (espelho do) outro o nosso reflexo. Hermann Hesse disse : “ Se você odeia uma pessoa, odeia algo nela que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos incomoda.”
Viver considerando isto, vai desenvolvendo nossa compaixão, nossa tolerância, nossa empatia e nossa solidariedade para com as nossas fraquezas e dificuldades e as dos outros.

2. Cem por cento do que somos e vivemos (inclusive o que supomos ser acidentes) é fruto de nossas escolhas e opções. Conscientes ou inconscientes. Desta ou de outras vidas.
Viver consciente disto desenvolve nosso discernimento e nossa responsabilidade para com a vida, com as pessoas e com nossas atitudes.

3. Livre-se da culpa. A única função da culpa é manter sua auto-estima baixa (por isso algumas religiões fomentam a idéia da culpa para assim manter poder). Transmute a culpa por responsabilidade. Ninguém é culpado de absolutamente nada, mas todos são completamente responsáveis por tudo.
Viver assim te torna mais atento e cuidadoso para com toda a existência.

4. Desenvolva a aceitação. Sempre que entramos em contato com alguma dificuldade ou fraqueza nossa, através de alguém ou de alguma circunstância, normalmente o primeiro impulso da mente/ego é: ou nos defendemos, negando e resistindo a entrar em contato (muitas vezes entrando na irritação e na revolta, geralmente imputando a culpa a alguém ou a alguma coisa), ou entramos na condição de vítimas, mergulhando na baixa auto-estima.
Aceite sua natureza humana como ela é e aceite também a sua sombra. Entenda que você está aqui na Terra para aprender e expandir sua existência. Um Mestre hindu falou: “Errar, ter defeitos, falhas, fraquezas, é seu direito. Trabalhar para transmutar isso tudo é seu dever”.


1. Tudo no Universo tem duas polaridades : Yin/Yang, masculino/feminino, positivo/negativo, etc. As emoções e os sentimentos também tem duas polaridades : o outro lado da tristeza é a alegria, do medo é a coragem, da raiva é a energia de realização, do ódio é o amor e o perdão, da ansiedade e da angústia é a calma e o centramento, da baixa auto-estima é a confiança em si mesmo, enfim, nosso grande trabalho de transmutação é estar constantemente reequilibrando estas polaridades. Os hindus diriam que devemos estar sempre transmutando Tamas e Rajas em Sattwa, isto é, trazendo sempre os pensamentos, sentimentos e atos densos , limitadores e negativos, para as freqüências mais sutis.

Viver assim economiza um bocado de energia. Considerando que tudo na vida é passageiro, é mais inteligente procurar mudar a polaridade das coisas e dar a volta por cima do que ficar naufragando constantemente nos mesmos padrões psico-emocionais.

6. Desenvolva a neutralidade e a observação. Os índios chamam isto de “Visão da Águia”: sair voando de dentro do burburinho dos eventos e, de cima, com uma perspectiva ampla e neutra, observar os acontecimentos sem identificação ou julgamentos. Ou, em outro exemplo: sair de dentro do rio caudaloso de nossa vida - onde estamos imersos até o pescoço - sentar na margem e observar. Quando dentro do rio, imersos até o pescoço, qualquer ondinha nos parece um vagalhão, mas quando nos sentamos à beira do rio, a ondinha novamente vira ondinha, e aí podemos ter uma perspectiva mais correta e um envolvimento menos sofrido com as coisas, e uma consciência profunda da impermanência.
Isto desenvolve uma profunda consciência da relatividade dos pontos de vista e, por conseguinte, o redimensionamento da nossa identificação e envolvimento com a transitoriedade da vida.

7. Evite as comparações. Lembra do “jardim do vizinho é sempre mais bonito” ? Ledo engano! Grande armadilha! Mal sabemos que o vizinho ao olhar nosso lado também pensa a mesma coisa sobre algum aspecto de nós...
Considerar este fato, te livra do peso dos julgamentos alheios e te torna mais centrado em teu próprio eixo.

8. Os hindus dizem que todas as doenças que existem - sejam físicas, emocionais, psíquicas ou energéticas - derivam, de uma forma ou de outra, de uma única doença: a ignorância de nossa natureza real, a Unidade (eles chamam esta ignorância de Avidya e a Unidade de Brahman).
Toda a Criação é uma grande web onde tudo é interligado, interagente, interdependente e holográfico. Realmente não estamos irremediavelmente presos a tempo e espaço e às três dimensões (não só as antigas tradições, mas a Física Quântica atual afirmam amplamente esta questão). Considerando nossa natureza Una, saiba que não há nada fora de você que você precise obter que já não tenha. Está tudo dentro de você, todo o Universo. Você apenas precisa relembrar sua natureza original, que está pulsando em cada partícula do Universo, em cada pessoa, em cada ser de cada reino. Todo Amor, Paz e Felicidade já estão dentro de você, sempre.
Você decididamente não é um pecador. Você não é uma pedra bruta que precisa ser lapidada. Você já é uma jóia pronta, maravilhosa, só que recoberta pela poeira desta ignorância primordial.
Passar a considerar estas verdades milenares em nossa vida cotidiana desenvolve nossa co-participação consciente no Universo nos seus mais diversos níveis de existência.

9. Todo o Universo é consciente ! Cada pessoa, cada animal, cada planta, cada pedra, cada célula, cada átomo, cada galáxia... A Consciência não é um privilégio do cérebro humano, que é apenas um dos veículos onde esta Consciência se expressa. Esta é a chamada onipresença e onisciência de Deus. Os índios têm formas sofisticadas de entrar em contato e interagir com a Consciência subjacente à Natureza.
Viver considerando este fato torna tua vida muito mais respeitosa, consciente e responsável.

10. Quando a vida nos apresenta algum evento desconfortável, algum obstáculo ou algum confronto, normalmente o que é acionado em nosso corpo/mente é o “automático” lutar ou fugir. A adrenalina está sempre pronta para desencadear ação. Mas a verdade é que na maior parte das vezes não seria necessário lutar nem fugir, bastaria relaxar e observar, e a partir daí agir com consciência, ou então deixar os acontecimentos se desenrolarem naturalmente. Vamos investir mais nas endorfinas ! Faça Yoga ou TaiChiChuan !
Desta forma, em todos os níveis e setores da nossa vida, podemos integrar firmeza e simultaneamente relaxamento – só firmeza gera rigidez e só relaxamento gera moleza !


11. Adote a perguntas : “Porque eu atraí isto ?” e “O que é que eu tenho que aprender com isso ?”. Todas (todas mesmo) as coisas que nos acontecem, vem para nos ensinar e são atraídas por nós (pelo nosso Self). A Vida está sempre fazendo suas arrumações para que possamos aprender e evoluir (pela dor ou pelo Amor, como dizia Kardec). Por isso alguém já disse : “cuidado com o que você deseja pois pode acontecer !”. Nós costumamos achar que quando pedimos à Deus alguma virtude, Ele vai milagrosamente introduzir esta virtude em nossa mente e de repente ficamos pacientes, ou disciplinados, ou tolerantes. Provavelmente o que a Vida fará é te proporcionar situações que vão te fazer desenvolver aquela virtude. Se você pediu paciência, provavelmente vai atrair pessoas que vão te fazer perdê-la, e aí é que estará o seu treinamento.
Então, sempre que as pessoas ou as circunstâncias te trouxerem desconfortos ou incômodos, ao invés de se revoltar, se ofender ou se entristecer, ou ainda, achar que a culpa é do outro ou sua, pergunte à Vida o que esta situação está te obrigando a trabalhar, que virtudes e qualidades você está tendo que desenvolver para lidar com isso de forma harmônica e equilibrada.

Este procedimento com certeza vai aumentar enormemente a qualidade de nossa consciência e a conseqüente percepção dos movimentos da vida e do seu sentido.


12. Gastamos grande tempo mental ficando angustiados por um passado que não podemos mais mudar e/ou ficando ansiosos por um futuro que ainda não chegou e não podemos controlar como virá. Outra grande parte, ainda, gastamos sonhando acordados, delirando os nossos sonhos e desejos. E aí duas coisas ocorrem: uma, sobra pouco tempo para a consciência do aqui-e-agora, o presente, que é onde efetivamente a vida acontece ; duas, quando precisamos da mente para as coisas que ela foi feita para funcionar – a nossa vida humana diária – esta mente tem dificuldade em se concentrar, em estar presente, inteira, poderosa, centrada.
Concentrando-nos no presente desfrutamos mais da vida. A meditação é um ótimo treinamento para aprender a viver no presente, nos livrando das pré-ocupações
e desenvolvendo uma mente verdadeiramente eficiente.

13. Infelizmente, ainda vivemos sob a ideologia do “ganha-perde”, ou seja, temos muito incutida em nossa cultura a idéia de que para se ganhar alguém precisa perder. É assim que se construiu, por exemplo, o sistema capitalista. Também é seguindo esta filosofia que está-se destruindo nosso planeta. E é desse ganha-perde que estão impregnadas as nossas relações (lembra da “lei de Gérson”?). Não só no sentido profissional e financeiro, mas também no emocional e no afetivo.
É urgente reimplantar-se o “ganha-ganha” nas relações interpessoais e nas relações do homem com a Natureza. Não existe nenhuma possibilidade de ganho real para nada nem ninguém, em nenhum setor da vida, se este ganho for obtido em detrimento da perda de alguém ou de alguma coisa. Na visão oriental, o Karma Yoga é a técnica que visa reeducar o homem e a sociedade para a verdadeira forma de ganhar.

Este procedimento simples pode transformar toda a perspectiva que temos em relação à vida, entendendo e vivendo na prática a grande lei universal de causa e efeito.


14. Atente para a sincronicidade. Uma escritura Hindu diz : “Nenhuma folha de grama se mexe sem uma razão”. Nada é casual, mas tudo é intrinsecamente causal. Um outro Mestre disse : “nós falamos com Deus através da oração, e Ele nos fala através da sincronicidade”. O Dr. C.G.Jung percebeu que era esta qualidade da Criação que fazia com que as artes divinatórias (I Ching, Tarot, Runas, Búzios) funcionassem. Todo o Universo é Um , portanto tudo é interrelacionado. E a Lei do Karma é quem disciplina este interrelacionamento. Atente para os sinais ! O tempo todo o Universo está interagindo com você !
Estar atento à sincronicidade desenvolve a intuição e a expansão da percepção do movimento consciente e multidimensional do Universo.

15. E finalmente – e sobretudo - “não faças aos outros o que não queres que te façam” ainda é a regra de ouro.
Viver integralmente assim te torna efetivamente consciente, pleno e equilibrado

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Lançado o livro "Fogo Sagrado"

Fogo Sagrado: uma terapia quântica para o terceiro milênio
Terapia energética baseada no xamanismo brasileiro e que propõe reflexões sobre a mudança de paradigmas no planeta é publicada pela primeira vez em língua portuguesa, e tem direção de arte e projeto gráfico assinados por Gasparetto.


Sobre o livro - A utilização terapêutica do sexto sentido e da energia como base para uma metodologia de cura: essa é a proposta de Fogo Sagrado: uma terapia quântica para o terceiro milênio, livro de Ernani Fornari publicado pela editora paulista Vida e Consciência, com projeto editorial e gráfico de Luis Antonio Gasparetto.
A obra ressalta a importância da compreensão do Universo e da Criação como um organismo único e integrado, no qual a Energia Vital circula. E propõe como ferramenta terapêutica a utilização do sexto sentido (também chamado de sensitividade, paranormalidade, percepção extra sensorial, mediunidade) não para interagir com o plano dos desencarnados (como acontece no Espiritismo e na Umbanda) mas para abrir um acesso ao inconsciente - através da ferramenta da Canalização - para poder liberar este material para a consciência (e o material consciente para a aceitação) e transmutar os conteúdos psico-emocionais auto limitadores e dolorosos (traumas, padrões repetitivos, sistemas de crenças limitadoras, conteúdos de vidas passadas e da ancestralidade, etc.) facilitando assim o restabelecimento do equilibrio e da harmonia no indivíduo e no sistema.
O livro analisa o (re)nascimento do Oriente no mundo ocidental durante os anos 60 e 70, com os movimentos beatnik e hippie, e as contribuições advindas das culturas indiana e chinesa para promover uma mudança de paradigmas - da racionalidade e da Física moderna para uma valorização da interconexão universal, da sensitividade e da energia, em paralelo com o surgimento da Física Quântica. Tal movimento está em curso e, segundo o autor, "temos de resgatar a consciência de que somos todos (co)criadores e (co)responsáveis pelo Universo e pela Vida".
A concepção holística da existência é reforçada, nos anos 70 e 80, pelo Xamanismo, movimento de resgate da cultura de povos norte e sul americanos, africanos, siberianos, havaianos, australianos, siberianos, entre outros. Um de seus principais postulados é a realidade multidimensional do Universo, que sugere a idéia de que os cinco sentidos e a mente racional não são suficientes para o contato com outros níveis mais sutís da existência. É o sexto sentido que pode abrir as portas para uma vida multidimensional consciente.
A técnica do Fogo Sagrado, desenvolvida pela terapeuta sensitiva carioca Mônica Oliveira a partir do trabalho terapêutico do agrônomo, farmacêutico e xamã Aloyzio Delgado Nascimento (e que este denominava Alinhamento Energético), é, portanto, resultado de uma integração entre o Xamanismo, o Conhecimento Oriental, a Psicologia Transpessoal e Física Quântica; uma equação que o autor esclarece e exemplifica em sua obra. Sua proposta é introduzir essa velha/nova técnica e apresentar as bases do velho/novo paradigma que esta sendo (re)implantado no planeta neste terceiro milênio.

Veja os links :
http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/793803-autor-de-fogo-sagrado-propoe-novo-uso-para-a-mediunidade-ouca.shtml
http://sociologiacienciaevida.uol.com.br/ESSO/Edicoes/0/fogo-sagrado-uma-terapia-quantica-para-o-terceiro-milenio-186258-1.asp?sms_ss=facebook&at_xt=4cd1ce07699f328a%2C0
http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/774350-professor-de-yoga-escreve-livro-que-mistura-xamanismo-e-fisica-quantica.shtml

Sobre o autor - Ernani Fornari é brasileiro, instrutor de Yoga, yogaterapeuta e massoterapeuta, além de terapeuta de Renascimento, Reiki,Constelações Sistêmicas e Cinesiologia Aplicada. Em 1998 teve seus primeiros contatos com o Xamanismo e em 2003 iniciou seu trabalho com Alinhamento Energético no Brasil (www.ernanifornari.com.br) e na Europa (www.fogosagrado-brasilien.com), onde já realizou milhares de atendimentos individuais e formou centenas de terapeutas. É co-proprietário do Espaço Saúde (www.espasaude.com.br) no Rio de Janeiro.
Tem oito livros publicados nas áreas de Ecologia, Agroecologia , Alimentação Natural e terapias , e o mais recente, o livro "Fogo Sagrado" pode ser comprado através site da editora (www.vidaeconsciencia.com.br) - e seus textos podem ser acessados no blog : http://alinhamentoenergetico.blogspot.com.

Ernani também é músico e compositor, e possui quatro CDs gravados, e dois deles podem ser acessados na íntegra para audição em :
www.soundcloud.com/ernani-fornari (disco "Coração Caipira", música country&folk brasileira, com letras ecológicas e espirituais)
www.soundcloud.com/dharmendra (disco "Mantra", mantras tradicionais com molho brasileiro)

Sobre os atendimentos – Os atendimentos individuais acontecem em sessões de 90 minutos com a presença de 2 terapeutas, e são realizados com periodicidade trimestral.
Ernani Fornari e Gabrielah Carvalho fazem atendimentos individuais no Rio de Janeiro no Espaço Saúde (R. Mário Portela 49, Laranjeiras, 21.2558.3513) e em São Paulo no Espaço Luzeiro (R. Armando Ferrentini 520, Aclimação, 11.5599.3496).

Sobre os cursos de formação - No Rio, uma das turmas se iniciará no dia 19 de março às 9:00 para uma aula aberta gratuita até as 13:00 na Casa Tebecata, Rua Comendador Gervásio Seabra 140, Alto da Boa Vista.
Informações e inscrições : Bruno Amado, brunoamado2000@yahoo.com.br, 21.7871.3511)

E a outra turma se inicia no dia 26 de março às 9:00 para uma aula aberta gratuita até as 13:00 no Espaço Aprender a Conviver em Copacabana, Av.N.Sra.Copacabana 647/601 (www.aprenderaconviver.psc.br - 21.2549.5764/3208.1260/9641.8331/9966.5354)
Informações e inscrições : ernanifornari@espasaude.com.br / gabrielah.carvalho@hotmail.com.

Serão 80 horas de curso, distribuídas em 10 sábados (das 9 às 18 h), uma vez por mês, de março a dezembro de 2011.

Em São Paulo, o próximo curso de formação se iniciará em abril de 2011, e acontecerá em 4 finais de semana (sábado e domingo das 9 às 18 h) uma vez por mês (durante quatro meses).
Informações e inscrições - cursos e atendimentos em SP - c/ Verônica Alves, produtora.veronicaalves@gmail.com, 11.9207.7162.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sobre e sob a sombra

SOBRE E SOB A SOMBRA


A Física Quântica é a ciência das infinitas possibilidades e a ciência que estuda as complexas interconexões entre todo o Universo.

Segundo F. Capra, as interconexões tem até mais importância do que as “coisas” que se interconectam, porque estas coisas não existem como coisas inter-separadas, mas pensam e agem como se fossem coisas separadas.

As interconexões existem para provocar o exercício de expor a sombra (que é quem fomenta a crença da separatividade) e trabalhar na direção em que vai toda o movimento universal, que é a busca no estado original de Unidade.

Este movimento universal de homeostase e expansão é chamado pelos hindus de Sattwa Guna.

Todas as coisas que passamos e experienciamos na vida, imprimem uma informação psico-emocional em nosso inconsciente.

As coisas positivas que vivemos, nossas vitórias, os reconhecimentos, o afeto e apoio que tivemos, aquilo que conquistamos, os obstáculos que superamos, tudo isso vai imprimir informações psico-emocionais “positivas” em nosso inconsciente.

Por outro lado, as perdas, as traições, as faltas, as violências, as injustiças, as carências e as derrotas, vão imprimir informações psico-emocionais “negativas”.

Entenda-se por positivo e negativo aqui, não um julgamento moral, mas as polaridades energéticas universais. Até porque não acredito em nada que seja negativo, mau, errado ou ruim no Universo. Tudo são apenas aparências. Obstáculos para serem superados.
Então, o que chamamos de personalidade é o resultado destas duas instâncias que poderíamos chamar de a Luz e a Sombra em nós. A parte de nós que trabalha a nosso favor, e a parte de nós que trabalha “contra” nós. Aonde nós nos ajudamos e aonde nos atrapalhamos.

É como se tivéssemos um jogo de futebol acontecendo em nós permanentemente. O time da Sombra e o time da Luz. E a gente fica tentando fazer com que o pessoal do time da Sombra passe prá Luz.

Isto vem trazer diversos desdobramentos:

Primeiro, a necessidade de re-significarmos nossa Sombra – nossos defeitos, falhas, erros, imperfeições, dificuldades, limitações, bloqueios, raivas, tristezas, medos...

Nossa Sombra não precisa mais ser vista como um mal, como um castigo ou um estigma. Nossas dores e limitações não precisam ser mais vistas como algo inevitável e irreversível, nem como necessáriamente culpa dos nossos pais, de Deus, do governo, dos patrões, do sistema, ou pior, de nós mesmos.

Nossa Sombra é apenas o material de trabalho de que dispomos para nos aperfeiçoarmos nesta encarnação.

O que chamamos de defeitos e erros, são na verdade nossos obstáculos, testes, exercícios, aprendizados, treinamentos, e que, diga-se de passagem, foi tudo pedido , pré-contratado e atraído por nós para nosso desenvolvimento e evolução, numa parceria perfeita e inteligente com o Universo.

Nossa Natureza Real é a Unidade, o equilíbrio, a harmonia, a Felicidade, a Paz, o Amor e a Luz. Já fomos construídos prontos, perfeitos, apenas sofremos de uma profunda ignorância deste fato.

Absolutamente não somos pecadores, nem culpados e nem vitimas de nada e nem de ninguém.

Tudo em nós que não sejam as qualidades e virtudes citadas acima, não é realmente o que nós somos, é apenas como estamos no momento. Só tem realidade virtual dentro da realidade relativa que construímos. São nossas crenças, bloqueios, padrões, auto-imagem, personas.

No hinduísmo, estas informações psico-emocionais se chamam samskaras (impressões, que geram vasanas, tendências) e no Fogo Sagrado, chamam-se “corpos energéticos”.

E os hindus também consideram que todas as emoções ditas negativas, emanam de uma única emoção central, nuclear, que é o mêdo de morrer, e que, por sua vez, também tem origem em um medo ainda mais atávico, que é o mêdo da dissolução do ego no Todo, o mêdo de perder a falsa identidade individual.

Em segundo lugar, poderíamos dizer que a equação do crescimento pessoal é, inevitávelmente e invariávelmente : entrar na consciência  aceitar  fazer um movimento para transmutar e mudar.

- Trazer para a consciência através de reflexão, meditação e/ou terapia, nossas crenças e padrões limitadores, bem como nossa Luz, talentos e potencial. Mas só trazer para a consciência não é suficiente. Temos então que...

- Aceitar. Olhar para nós mesmos com maturidade, com neutralidade, sem comparar com nada nem com ninguém, entendendo a função do que nos acontece e aceitando que se está aqui neste laboratório planetário, neste teatro cósmico, para transformar a Sombra em Luz. Ninguém tem “cacife” para julgar ninguém, nem mesmo si a próprio. Tentativa e erro é justamente o que temos que fazer para aprender e crescer. Trazer a Sombra para a consciência, sem a aceitação subsequente, pode gerar muita culpa e muito stress.

- Finalmente, fazer um movimento para transmutar, re-significar, criar um novo padrão, expandir o que estava bloqueado, aprofundar. E o Fogo Sagrado vem como uma ferramenta altamente eficiente para promover as transmutações e re-significações necessárias, de uma forma rápida.

Estes são os três degraus do auto-desenvolvimento.

Mas é muito importante que consideremos também, duas características psico-emocionais fundamentais e bastante estruturais em nós, neste processo ilusório à que estamos submetidos (por nós mesmos), e que funcionam como verdadeiras armadilhas no processo evolutivo :

- A auto-imagem (quem eu acredito que eu sou) e a persona (quem eu quero – ou preciso – que os outros acreditem que eu sou), que está a serviço da auto-imagem para “equilibrá-la” e compensá-la.
- E temos que lidar ainda com dois (profundos, embora aparentes) estados de cisão:
A cisão externa (eu me sinto separado dos outros, da Natureza e de Deus), e a cisão interna (eu sinto a separação entre meu corpo, minha mente e minhas emoções).

É preciso muita auto-observação, muita neutralidade, muita humildade e respeito por nós mesmos, e muito trabalho interno, para podermos equacionar e integrar este atávico jogo de aparências.

Outra coisa também extremamente importante, é que re-signifiquemos o conceito e a função do chamado “Mal”.

A função do Mal não é destruir o Bem, como muitas religiões tem colocado de forma maniqueísta.

A função do Mal é se transmutar em Bem. O Mal é o Bem na polaridade desequilibrada, escura. A Sombra é a Luz no outro lado da moeda.

O “Mal” é o desequilíbrio que tem que se equilibrar, a desarmonia que tem que se re-harmonizar. É o exercício, o obstáculo, os testes, as provas.

E no processo de re-significação do Mal, temos que re-significar também o papel do demônio, de Satanás ou do diabo.

Imaginem se o mais alto ser da mais alta hierarquia angélica – Lúcifer (aquele que traz a Luz) – ia ser tomado por uma emoção tão humana e terrena como a inveja !!! E aí, caiu e virou um ser em guerra com Deus...

Lúcifer (que também trabalha na Egrégora do Ministério de Cristo), é o Ser de Luz que promove os obstáculos e exercícios necessários para o crescimento e a expansão de toda a Criação.

Na Mitologia Hindu, os demônios são sempre grandes devotos de Deus (em geral de Shiva), e sempre são liberados quando Deus os mata (geralmente Vishnu).

Imagine, por exemplo, um atleta de ponta de nível olímpico. Vamos dizer que seja um saltador em altura. O que ele faz ? Contrata um treinador que coloca a vara em determinada altura.

Aí este atleta treina duro, com disciplina, espartanamente, até que consegue saltar. Quando ele salta, e está lá todo feliz e orgulhoso, seu treinador sorri e... levanta um pouco mais a vara, e começa tudo de novo.

Por acaso este treinador significa o mal para o atleta ? Será que ele está trabalhando contra ele ?

Então, costumamos dizer de brincadeira, que quando Deus faz reunião de Ministério, quem está sentado à sua direita é Jesus, e à sua esquerda é Lúcifer, o “grande treinador”.

Claro que existem as regiões infernais. Claro que ao desencarnar muita gente vai para estes locais. Mas estes locais não são nada mais que projeções do nível vibratório e evolutivo interno da própria pessoa. O inferno e o Céu estão sempre dentro do homem.

Portanto, não desqualifique sua Sombra. Não diga “que droga, fiquei com raiva”, “estou com um medo horrível”, “que tristeza terrível”. Não negue nem menospreze as emoções chamadas negativas.

Aceite a sua inveja (in-veja, veja dentro o potencial que você pensa que só o outro tem), seus ciúmes, seus apegos, suas fraquezas. Olhe para elas com a visão da Águia – com neutralidade e equanimidade.

Também não procure fugir da sua Sombra focando na Sombra do outro, porque ao fazê-lo você só estará vendo a sua própria Sombra na Sombra do outro.

Conscientize, observe, sinta, perceba o aprendizado que você atraiu através destas emoções e sentimentos e libere-as. Senão elas ficarão se repetindo (e com intensidade progressivamernte aumentada) até que você faça algum movimento interno de liberação.

Grande parte das informações psico-emocionais positivas e negativas que construíram nossa personalidade, foram enraizadas na infância, justamente numa época da vida em que temos poucas condições de compreender de uma forma ampla e profunda o sentido e a função do que nos aconteceu, e as circunstâncias em que os eventos ocorreram.

Neste caso, o que fica mais contundente é o que se sente, dentro da perspectiva estreita do que se compreende.

Até porque muito antes de pensar nós já sentíamos.

Uma criança, por exemplo, que sofre violências do pai, não tem condição de avaliar que o pai também tem suas questões, suas dores e doenças, que também teve pais que tiveram pais...

O que fica marcado criando o trauma é o fato em si e seu sentimento.

A criança funciona dentro de uma equação simplista, mas geradora de toda uma série de sofrimentos emocionais : “se fizeram isto comigo é porque não gostam de mim. Se não gostam de mim, é porque não sou bom“.

Porque visceralmente necessitamos – e buscamos isso desesperadamente – sermos aceitos, reconhecidos e amados. E para receber isto, “fazemos qualquer negócio”, nos tornamos rígidamente perfeccionistas, ficamos neuróticamente “bonzinhos”, só pensamos nos outros e esquecemos de nós, e por aí vai...

E como o cérebro não reconhece a diferença entre o que aconteceu no passado e o que aconteceu hoje (Freud teria adorado saber disso!), as informações dolorosas ficam sendo permanentemente atualizadas, e o conjunto destas informações , são hoje as nossos traumas, crenças, padrões limitadores e bloqueios.

Ficamos carregando conosco todas as crianças sofridas que fomos, como se ainda as fossemos.

Quase tudo fruto de equívocos de perspectiva que mantém as emoções e a psique desequilibradas.

Precisamos liberar nossas crianças sofridas, devolvendo-as felizes ao passado, e passando a encarar e a lidar amorosamente com a Sombra como nosso precioso material de trabalho evolutivo.

É o primeiro passo para amar a si mesmo, que é o primeiro passo para amar ao próximo e ao Universo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A Visão Hindú sobre a estruturação do psiquismo

A VISÃO HINDÚ SOBRE A ESTRUTURAÇÃO DO PSIQUISMO


“Quem sou eu ?” é, sem dúvida, a pergunta mais importante do universo humano.
E é claro, “De onde vim e para onde vou ?”, “Quem é Deus ?”, e tantas outras perguntas do mesmo teor, vem na seqüência.
E em toda a história da Humanidade, o homem mergulhou intensamente na busca desta resposta.

Para tanto, criou inúmeras religiões, filosofias, mitologias, ciências e psicologias, sempre na ânsia ancestral e atávica, de desvendar aquilo que os índios norte-americanos chamam de “O Grande Mistério”.

A idéia central das culturas orientais e xamânicas – a Unidade – traz o conceito de que tudo é Um, de que o Universo é um único organismo, consciente e totalmente interligado e interagente, e que toda a percepção e sensação de separatividade é uma ilusão (Maya).

Os hindus chegam a dizer que a única doença de que nós realmente sofremos – todas as outras (físicas e psíquicas) são um desdobramento desta – é Avidya, a ignorância da nossa natureza real, a Unidade.

E é assim que nós nos sentimos : totalmente cindidos, fragmentados. Tanto externamente – nos sentimos separados de cada semelhante, da Natureza e do que acreditamos que seja Deus ; quanto internamente – corpo, cabeça e coração raramente estão em equilíbrio.

Na tarefa humana de caminhar para a Luz, em primeiro lugar é importante perceber que quando trabalhamos conosco no auto-conhecimento ou com outra pessoa (se formos terapeutas), estamos fundamentalmente lidando com duas instâncias altamente relevantes da personalidade - a auto-imagem e a persona – que são construções psico-emocionais limitadoras paradoxalmente desenvolvidas por nós - inconscientemente, na maior parte do tempo - para nos proteger.

A auto-imagem é “quem eu acredito que eu sou”. É o sistema de crenças que nós construímos em função das nossas experiências dolorosas e sofridas (e claro, das positivas e interessantes também), e que nos dão uma imagem e uma perspectiva geralmente distorcida de nós mesmos, e que na maior parte das vezes nós sentimos como sendo algo limitador e desfavorável, ou ao contrário (mas pela mesma razão), o ego infla e a pessoa se sente exageradamente o máximo, para não entrar em contato com suas dores.

A persona é “quem eu quero que acreditem que eu sou”. São as nossas máscaras e papéis sociais (o filho, o pai, o profissional, o cidadão, o marido, etc.etc.) que funcionam em parceria com a auto-imagem, e que procuram compensar esta, quando ela é desconfortável e parece ser desfavorável.

E a auto-imagem e a persona são competente e eficientemente fomentadas, mantidas e monitoradas pelo complexo ego/mente racional.

A auto-imagem e a persona são componentes importantíssimos na construção da nossa visão de mundo, a chamada “Realidade” (que é o que nós acreditamos que a vida é).

Outro movimento do psiquismo - que foi percebido por S. Freud bem no inicio da estruturação da Psicanálise - são as pulsões da busca do prazer e da evitação da dor. E todo o complexo psico-emocional trabalha neste sentido : o de nos manter afastados do contato com a dor.

Na infância, quando passamos por experiências traumáticas , estas impressões (o que sentimos com o que supomos que aconteceu) são “escondidas” no inconsciente. Freud chamou a isto de recalque. A intenção é que não tenhamos que estar sempre entrando em contato com nossas dores (ou do que o inconsciente acredita serem dores), pois seria insuportável viver assim, lembrando o tempo todo de tudo o que de ruim e sofrido nos aconteceu.

O problema é que estas dores continuam vivas no inconsciente, produzindo ao longo do tempo um sistema de crenças e padrões que irá contribuir decisivamente na formação do caráter e da personalidade, e também na somatização de doenças físicas, psico-emocionais e/ou sociais.

Ou seja, paradoxalmente , o mesmo procedimento interno que trabalha para nos proteger, nos limita e nos sabota, como um eterno exercício de obstáculo X superação e crescimento.

Vamos agora deixar a Psicologia Hindu dar um subsídio filosófico e psicológico :

Em primeiro lugar, se tanto as Tradições orientais quanto as xamânicas dizem que somos seres multidimensionais / holográficos, isto quer dizer que existimos simultaneamente em infinitos níveis, certo ?

Na Filosofia Hindu, temos duas formas de codificar as multi-dimensões do ser humano : uma trina - os Shariras, ou corpos - mais usada pelo Yoga, e outra quíntupla - os Koshas, ou envoltórios - mais usada pela Vedanta. São apenas divisões de caráter didático, já que estas dimensões não são tridimensionais, são holográficas, e estão todas simultâneamente se interpenetrando (assim como acontece com os Chakras).

Os Shariras ou corpos, são 3 : o Sthula Sharira ou corpo denso (o corpo físico), o Sukshma Sharira ou corpo sutil (o corpo de energia, o corpo emocional e o corpo mental) e Karana Sharira ou corpo causal.

É no Sukshma Sharira onde operam a Homeopatia, a Acupuntura, Reiki, Cura Prânica, Aromaterapia, Cristais, Cromoterapia, etc, para curar o Shtula Sharira.

Karana Sharira se chama corpo causal, porque é nesse nível onde se localiza a causa da ignorância primordial (Avidya). Mas é também neste nível que se localiza a Testemunha , a perspectiva interna neutra e observadora buscada na Meditação. É a “Visão da Águia” dos xamãs e é onde acontecem as canalizações e as conexões mediúnicas e sensitivas. E este também é o nível que faz a “interface” do estado de consciência separada com o estado da Unidade Absoluta ( Nirvana, Samadhi, Moksha, Kaivalya, Satori).

Os Koshas, são chamados de envoltórios (ou bainhas), porque são as camadas que ilusóriamente prendem e condicionam o Espírito (Atma). São 5 :
- Annamaya Kosha, ou corpo físico
- Pranamaya Kosha, o corpo de energia (que os ocultistas chamam de Duplo-etérico e os espíritas de Perispírito) . Neste nível circulam as Pranavaha Nadis (condutos energéticos que transportam os Pranas)
- Manomaya Kosha, o corpo psico-emocional. Neste nível circulam as Manovaha Nadis (condutos de energia que transportam Ojas, a energia mental. Ojas é a quintessência energética extraída dos alimentos pelos Dhatus – os 7 tecidos corporais)
- Vijñanamaya Kosha, o corpo psíquico
- Anandamaya Kosha, o corpo psico-espiritual.

Vijñanamaya Kosha é onde opera o discernimento, a capacidade de se escolher e discriminar entre o que é real ou irreal.

Assim como o Karana Sharira, Anandamaya Kosha é o portal, a interface para o estado da Consciência da Unidade.

O Sthula Sharira (bem como sua correspondente Annamaya Kosha) está relacionado a Guna Tamas ; o Sukshma Sharira (Prananamaya, Mano Maya e Vijñanamaya Kosha) está relacionado a Guna Rajas; e Karana Sharira (Anandamaya Kosha) a Guna Sattwa.

O complexo psíquico (que os hindus chamam de Antahkarana, ou órgão interno) é formado por :


- Buddhi. É a parte mais elevada do complexo psíquico. Num primeiro nível, Buddhi trabalha com o discernimento, as escolhas e as opções. Desde as escolhas inconscientes - como, por exemplo, as que faz o nosso sistema nervoso autônomo - passando pelas opções e escolhas conscientes do dia-a-dia, até a mais elevada das formas de discernimento que é o questionamento sobre o que é real e o que é irreal na existência ( que é o que os hindus chamam de Viveka). Em um nível mais elevado de atuação, Buddhi é a Mente Testemunha (a “Visão da Águia” dos xamãs), o nível da Meditação e da neutralidade, onde há observação equânime, sem julgamento.
Abarca também o Inconsciente.
Buddhi é quem sedia e administra os Samskaras - os registros e impressões psico-emocionais, que vão gerar os Vasanas (tendências e padrões).
O Buddhi atua no nível de Karana Sharira (e Vijñanamaya Kosha).

- Manas é a mente pensadora. Administra os estímulos que vem através da aferência dos sentidos (Jñana Indriyas) e da atividade da memória (Chitta , conteúdos do consciente e do inconsciente), administra as escolhas e opções de Buddhi, e produz os Vrittis (pensamentos, movimentos mentais, mente racional) e as respostas psico-motoras (Vasanas) através dos Karma Indriyas (órgãos de ação).

- Ahamkara, o ego. Trabalha em parceria com Manas na função de se manter a identificação da Consciência Una com o estado ilusório de separatividade (Maya). Os sentidos, o ego e a mente racional mantém a Consciência ilusoriamente identificada com a personalidade e com as Gunas (os movimentos impermanentes da Natureza).

E como este Anthakarana trabalha ?

Quando os nossos sentidos apreendem algum objeto, informação ou estímulo, dois mecanismos disparam automaticamente : o corpo mental associa ao elemento percebido um nome (Nama) e uma forma (Rupa) e o corpo emocional avalia se aquele determinado elemento me atrai (Raga) ou se eu o rejeito (Dwesha) – bem no estilo das pulsões “busca do prazer / evitação da dor” freudianas.

Em outras palavras os sentidos captam, a mente e o emocional enquadram e classificam e o ego identifica com eu/meu.

Assim enquadramos toda a Realidade Una em pequenas unidades ilusoriamente separadas, mantemos a ignorância da nossa Natureza Real, e ficamos vivendo aprisionados em uma realidade limitante construída por nós mesmos.

Se o estímulo ou informação que recebemos através dos sentidos (Jñana Indriyas) é alguma coisa muito forte e traumatizante, ou se por outro lado, são estímulos ou informações que se repetem com periodicidade, isto vai imprimir Samskaras (impressões psico-emocionais) no inconsciente, que vão por sua vez, produzir Vasanas (crenças, hábitos, tendências e padrões) e , juntamente com Citta (a memória) produzir os Vrittis (movimentos da mente, pensamentos, atividade racional).

Algumas imagens para exemplificar :

1. Imagine que o seu complexo psíquico é um lago : o reservatório em si, é a mente (Manas) ; o conteúdo – a água – é Chitta, a memória consciente e inconsciente ; o fundo do lago é o Ser, a Unidade coberta pela “poeira” de Chitta que forma “bancos de areia” (Samskaras) em função dos movimentos internos e da superfície (Vrittis) ; por sua vez, os movimentos ondulatórios da superfície são os Vrittis (pensamentos, atividade racional) e Vasanas (tendências) cujos padrões são produzidos pelo perfil topográfico do fundo (Samskaras).
Quanto mais nivelado e liso estiver o fundo, mais tranqüilas serão as águas da superfície.

2. Uma carruagem : Buddhi é o condutor, Manas são as rédeas, Ahamkara é a carruagem e os cavalos são os sentidos (Indriyas).

3. Estou em um campo e de repente vejo um touro enfurecido correndo em minha direção : os Jñana Indriyas captam a imagem , Manas processa a informação (“vendo um touro correndo”), Ahamkara identifica com o eu (“eu estou vendo um touro correndo”) , Buddhi faz as escolhas (“eu estou vendo um touro correndo e furioso, e vai me pegar. Tenho que correr”), e os Karma Indriyas executam a ação de fugir.


Bem, é claro que este processo, como todos os processos de auto-conhecimento e crescimento, deve ser acompanhado da fundamental fórmula : conscientizar  aceitar  transformar e integrar.

Sem a consciência e a aceitação dos nossos padrões e movimentos internos limitadores (ou da sombra, como bem denominou C.G.Jung) não podemos nos transformar e melhorar.

Mas a conscientização da sombra sem a sua aceitação com compreensão, neutralidade e compaixão, também não leva ao crescimento. Pode talvez levar à depressão.

Isto acontece também porque estamos terrivelmente infectados por um veneno criado pelo homem que é a culpa.

A culpa foi fomentada por algumas religiões com a exclusiva finalidade de manter a auto-estima pessoal baixa para assim poder-se dominar e manipular mais facilmente as pessoas.

Para respaldar a culpa inculcou-se a idéia de que somos pecadores congênitos, e que só teremos nossa salvação se nos submetermos a um Deus que nos julgará e que vive em um paraíso distante distribuindo castigos e recompensas. Isso tudo poluiu terrivelmente o saudável processo da evolução psico-emocional / espiritual humana, especialmente da cultura ocidental.

Junto com a aceitação de nossa sombra (que é apenas a ilusória – e temporária - ausência da Luz), precisamos também aceitar e resgatar nossa natureza divina e perfeita, e aceitar o fato de que nossa sombra é apenas a ignorância de nossa natureza real – a Unidade.

A sombra é o material de que dispomos para trabalhar nosso crescimento, são os exercícios, obstáculos, provas e testes que aceitamos trabalhar para evoluir.

É absolutamente necessário que substituamos a culpa pela responsabilidade. Não somos passivas marionetes do Universo. Somos seus co-criadores ativos.

Não existe necessáriamente nenhum Deus em guerra constante contra o Mal.

O chamado “mal” são os obstáculos, testes, dificuldades, exercícios, conflitos e confrontos que temos que lidar em nossa caminhada de crescimento.

Ou seja, a função do mal não é vencer o Bem, é se transformar em Bem. Assim como a função da sombra não é apagar a Luz, é se transformar em Luz.

Na Mitologia Hindú esta visão fica bem clara, ao colocar os demônios (Asuras) como devotos de Deus (Shiva) que eram geralmente Saddhus ou monjes que por alguma razão foram tranformados em demônios para cumprirem alguma função. E aí eles tem que ser mortos e liberados por Deus (Vishnu) para voltarem à sua condição de Santos e Sábios.

A vida que vivemos, o que somos e o que nos acontece é fruto 100% das nossas escolhas e opções – conscientes ou inconscientes, feitas nesta ou em outra(s) vida(s). E isto é a grande maravilha da vida, pois nos confere o poder de nos responsabilizarmos totalmente por nós mesmos e transformar totalmente nossa existência em qualquer tempo.

O fato de que o Universo é um único Ser totalmente integrado como uma grande teia holográfica, onde cada componente funciona como um ímã atraindo e repelindo energia, coisas, pessoas e situações – tudo devidamente gerenciado pelas leis do Karma, da Sincronicidade e da Ressonância – faz com que estejamos constantemente atraindo as coisas, pessoas e situações necessárias para nosso aprendizado e evolução. Esta é a forma que a Vida utiliza para nos ensinar.

Isto, além de demonstrar o funcionamento da fantástica Inteligência Universal, anula completamente qualquer possibilidade de culpas, castigos divinos, azar e vitimismos.

Então, a grande pergunta que devemos estar sempre nos fazendo cada vez que algo ou alguém desagradável cruza nosso caminho é : o que eu tenho que aprender com isso ? Porque eu atraí esta pessoa ou situação ?

terça-feira, 29 de junho de 2010

REFLEXÕES SOBRE A REALIDADE

“ Om purnam adah, purnam idam
Purnat purnam udacyate
Purnasya purnam adhaya
Purnam evavashishyate”
“Isto é Uno (Perfeito, Total, Pleno), aquilo é Uno
Do Uno só sai o Uno
Ao se separar uma parte do Uno
É Uno o que se tira e Uno o que resta “
(Isha Upanishad, escritura hindu)

O que é a Realidade ?

Os hindus e chineses dão a dica quando estabeleceram o milenar conceito filosófico/dialético do Absoluto X Relativo.

Os chineses chamaram o Absoluto de Tao e o Relativo de Yin e Yang.

Os hindus chamaram o Absoluto de Brahman (e Purusha) e o Relativo de Maya (e Prakriti).

O Absoluto é a Consciência Eterna, Incriada, Transcedental, não dual e permanente. Os hindus dizem que Brahman é Satchidananda (Consciência, Eternidade e Bem-Aventurança).

O Relativo é a dualidade, a impermanência, a identificação da mente/ego com a parte ao invés do Todo.

Isto expressa a idéia fundamental de que nos relacionamos simultâneamente com 2 realidades :

- a realidade que construímos com toda a nossa bagagem kármica, genética, cultural, educacional, crenças e registros do passado. É a auto-imagem (“quem eu acredito que sou”) e a visão de mundo
que cada um constrói e mantém.

- e a Realidade que existe por Si, independente das infinitas realidades relativas construídas por cada um. Ela não é a soma das realidades relativas. Ela é simultâneamente imanente e transcendente a elas. A Realidade é a própria Consciência (que as religiões chamam de Deus).

Para o hindu, estar na Sombra ou na Luz, na ignorância ou na Sabedoria, na diversidade ou na Unidade, é só uma questão de perspectiva, de “ótica“. Daí as escolas filosóficas hindus se chamarem Darshanas, cuja tradução é “pontos de vista” (acerca da Realidade).

Exatamente como ocorreu na história dos pais da Física Quântica quando perceberam que as porções sub-atômicas da matéria se comportavam como partícula ou como onda de acordo com a perspectiva do observador – olhou é partícula, não olhou é onda.

Isto é, “olhar” é ver a Realidade Una (onda) através da lente da visão de mundo construída por nós com nosso complexo mente/ego/5 sentidos e seus conceitos, padrões e crenças (partícula).

O Santo, o Iluminado, é aquele que vê as partículas através da perspectiva da onda. Enquanto nós ainda estamos vendo as partículas, da perspectiva da partícula.

No âmbito da vida humana estas perspectivas absoluta e relativa também se expressam na forma da nossa simultânea singularidade (somos completamente diferentes uns dos outros. Não há quem tenha o mesmo rosto, nem a mesma impressão digital) e universalidade (somos todos o mesmo Ser).

A tradução correta para a palavra hindu Maya (que é incorretamente traduzida como ilusão), é “é / não é”, ou seja, esta existência, fragmentada e cindida (nos sentimos separados uns dos outros, da Natureza e de Deus), que acessamos com nossos 5 sentidos e com nossa mente racional, simultânemente existe e não existe

Sob a perspectiva da relatividade - da visão dual da Vida, da identificação da mente/ego com a realidade fragmentada e mutante das três dimensões e do tempo/espaço - esta realidade concreta e dual óbviamente existe, com sua inerente impermanência.

Mas sob a perspectiva da Unidade, da Realidade Absoluta - eterna, não-dual e permanente - esta vida ilusóriamente dual não existe.

Afinal, tudo o que é impermanente não pode ter existência real.

E o que é efetivamente e verdadeiramente Real é a Consciência/Amor imanente e transcendente à Criação.

Buddha foi chamado de ateu porque jamais falou em Deus e em alma. Ele dizia que o homem é um agregado de ego e mente que constantemente geram karma, fomentando assim a reencarnação (samsara).

Levei muito tempo para finalmente “pescar” o insight de que realmente a Consciência não pode ser partida.

Nós não temos uma “parte” do Todo. Deus não fica tirando pedaços de Si e colocando em cada corpo humano que Ele cria.

Claro, a Consciência, a Alma (atma, como chamam os hindus), é uma só para toda a Criação. Todos compartilham a mesma Consciência.

Por isso se fala modernamente que o Universo é holográfico (da mesma forma que já se sabe que o cérebro humano funciona holográficamente, não analógicamente), pois cada “parte” sua, contém a totalidade.